Gado

Recursos do Montado

A principal utilização do montado é a criação de gado em regime extensivo. Para tal se recorre a animais de raças autóctones perfeitamente adaptadas às difíceis condições que caracterizam este ecossistema (continentalidade, sazonalidade extrema, escassez de água e alimento, longas distâncias a percorrer, etc). O gado ovino Merino, outrora produzido especialmente pela lã de alta qualidade que produz, destina-se hoje à produção de queijos e carne. O gado bovino também é explorado para carne, sobretudo as fêmeas das raças Avilenha Negra-Ibérica, Retinta, Morucha, Alentejana e Mertolenga cruzadas com sementais de raças selectas (Charolês e Limousine). Na Extremadura é ainda de destacar o uso da raça Blaca Cacerenha, hoje em perigo de extinção apesar dos esforços em contrário da administração regional. Igualmente em extinção, no Alentejo, a raça garvonesa.

Especial distinção merece ainda o gado de lide que ocupa boa parte dos montados de Salamanca, Extremadura e Andaluzia, bem como do Alentejo. Também de elevado valor é o gado suino ibérico, alimentado durante grande parte do ano à base de bolotas e pastagens naturais. Por fim, importa mencionar o gado caprino o qual, devido à sua capacidade de consumir as partes mais lenhificadas das plantas, permite não só aproveitar realmente todos os recursos do sistema, como permite controlar a proliferação de matos.

Os recursos do montado que optimizam a sua utilização animal são:

  • As pastagens: de carácter sazonal, são aproveitadas pelo gado sobretudo na Primavera e Outono, períodos durante os quais chega a proporcionar entre 1000 e 2500 Kg de matéria seca por hectare.
  •  As bolotas: possuem elevada importância para a alimentação do gado suino em montanheira, devido à facilidade com que este transforma os hidratos de carbono em gordura. Uma azinheira média produz entre 5 e 14 Kg de bolotas por temporada, o que perfaz 250 a 700 Kg/ha/ano (assumindo uma densidade média de 50 árvores por hectare).
  • O ramejar: designa-se como ramejar o consumo animal de folhas e pequenos ramos, obtidos directamente das árvores ou resultado de podas. Trata-se de um alimento com um conteúdo proteico variável, dependendo da espécie e da época de corte, que é especialmente apreciado pelo gado caprino e bovino.

A cortiça, procedente do descasque do tronco do sobreiro (Quercus suber), é mais um rendimento dos montados, obtido em ciclos de 9-11 anos, segundo a maior ou menor produtividade de cada zona.

Outro rendimento tradicional do montado é a lenha, regra geral destinada à produção de carvão vegetal. Este produto, outrora de grande importância como combustível doméstico, foi substituído pelos combustíveis fósseis e pela electricidade, embora tenha mais recentemente recuperado alguma importância.

Quanto à exploração agrícola, predominam os cereais e as leguminosas pratenses, já que o objectivo é essencialmente a alimentação animal.

No que diz respeito à caça, o aproveitamento dos recursos cinegéticos do montado inclui benefícios directos (o valor das peças abatidas) e indirectos (turismo, postos de trabalho dependentes desta actividade, indústria associada, etc), que são na verdade essenciais na economia deste tipo de explorações.

Finalmente podem mencionar-se outros rendimentos como os derivados do turismo rural, da apicultura, da recolha de produtos silvestres (cogumelos, espargos, plantas aromáticas), etc

Fonte: http://dehesa.juntaextremadura.net/index.php?option=com_content&view=article&id=54&Itemid=58&lang=pt

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