De Tesouro a Património Mundial

Elevação do Montado ás luzes do património mundial

A progressiva artificialização a que o montado tem sido sujeito , a par de uma exploração intensiva e desregrada e condições climatéricas desfavoráveis tem tido em alguns casos consequências negativas na sua saúde e vitalidade , que importa corrigir .

Os montados têm um elevado valor conservacionista , abrigando uma rica e diversificada flora e fauna , nomeadamente das espécies cinegéticas O sobreiro tem um enorme significado na qualificação ecológica , económica e cultural e paisagística do pais .Portugal é o maior produtor e transformador industrial de Cortiça , não se encontrando substituto artificial para um produto com as características da cortiça matéria prima limpa , totalmente reciclável.

Deveremos manter um apurado controle sanitário dos sobreiros para evitar a propagação de doenças que afectam o montado , .assim como deveremos proteger e estimular os produtos do montado como o porco montanheiro e os cogumelos .
A paisagem e o sistema ecológico é algo de estratégico , precioso , e insubstituível .A sustentabilidade e a perpectuabilidade das florestas de sobreiro passa por a cortiça se manter como o material eleito para vedantes dos vinhos engarrafados.
Mas é nos vinhos de consumo a curto prazo- mais de 90% dos vinhos mundiais são consumidos em menos de um ano de engarrafamento- que se joga o futuro da cortiça .Os produtos subsidiários da indústria da rolha e os vinhos de qualidade , que certamente nunca descerão á bastardia das rolhas de plástico , são completamente insuficientes para manter os níveis actuais da cadeia subericola .A rolha é o pilar da actividade subericola já que consome apenas 30% a 40% da matéria prima , mas gera 80% do valor acrescentado e apresenta valores de exportação superioresao Vinho do Porto .

Noticia: Montado Alentejano será candidato à UNESCO

(8 de Setembro de 2010)

“A Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo quer candidatar o montado alentejano a Património Mundial, pela UNESCO. O objetivo é ver aquela região valorizada a nível internacional graças ao seu ecossistema “único do mundo”, e atrair, assim, mais turismo para a região.

Para a preparação do dossiê de candidatura que está agora no início, foi preciso encontrar uma característica única que definisse a identidade da região e a distinguisse de outras.

“Eu diria que o montado é, em si próprio, a identidade mais expressiva do território do Alentejo. Porque o montado só existe no Alentejo, não existe em mais nenhuma parte do mundo”, explicou à agência Lusa o presidente da Turismo do Alentejo, Ceia da Silva.

“Temos produtos turísticos de grande relevância e de elevadíssima qualidade, mas o que é distintivo, o que nos leva a podermos consolidar uma oferta turística e a afirmar uma marca de grande prestígio internacional, é o montado”, sublinhou o mesmo responsável.

Será a partir do montado que será, então, construída a candidatura, não só valorizando esta expressão paisagística mas também a sua ligação à gastronomia, à maneira de ser alentejana, à hospitalidade e maneira de vestir, sem esquecer as tradições culturais típicas desta região.

Autarquias, serviços desconcentrados da administração pública, agentes ligados ao montado e à produção de cortiça, universidades e institutos politécnicos estão entre as entidades contactadas pela Turismo do Alentejo, para subscreverem o protocolo “Dinamização do Montado Alentejano como Bem Cultural Universal”.

De acordo com Ceia da Silva, a preparação deste tipo de processos “é demoroso”, mas “dentro de dois ou três anos”, a candidatura estará em condições de ser apresentada formalmente.

Disponível em: http://boasnoticias.pt/noticias_Montado-Alentejano-ser%C3%A1-candidato-%C3%A0-UNESCO-_3326.html